CapitaI Nacional da Linguiça


7ª FESTA DA LINGUIÇA


A LINGUIÇA BRAGANTINA

Conhecida como a “capital nacional da linguiça”, Bragança realiza anualmente a tradicional Festa da Lingüiça no conhecido Posto de Monta, com acesso gratuito.  



A HISTÓRIA DA LINGUIÇA BRAGANTINA

Segundo o historiador José Roberto Vasconcellos, uma italiana, de nome Palmira Boldrini, em 1911, iniciou a comercialização de uma linguiça, tipo caseira, feita de pernil de porco, a qual ficou conhecida na época como “lingüiça da dona Palmira de Bragança”. 

Já nos anos de 1920 e 1930, muitos bragantinos comercializavam o produto em outras cidades da região.

 


E em sua casa, na Praça José Bonifácio, nº 8, Dona Palmira preparava a linguiça que chegava às repartições públicas das cidades de São Paulo e sul de Minas.  Vendedores percorriam a região com suas camionetas ou furgões, levando a linguiça da terra. Vários comerciantes se enriqueceram com essa prática.

Eram os Palombellos, os Calzavarra, Bertolaccini, Maffei, Rossi, Magrini, Lossaso, Titanegro, Vergili, Sabella, Centini, Januzzi, Lauletta e outros. E a fama da linguiça cresceu.

 

 

UMA OUTRA VERSÃO

Uma outra versão é associada a Octavio Pereira Lente, integrante da Força Expedicionária Brasileira, que lutou na Segunda Guerra Mundial, na Itália. Naquele país, teria experimentado a linguiça calabresa (região da Calabria) e quando retornou ao Brasil conheceu um casal italiano que sabia da receita daquela iguaria italiana. 

 

  

Então, em 1948 começou a produzir a linguiça no bar que herdou de seu pai, o “ Bar do Rosário” (foto acima), ao lado da igreja do Rosário, em Bragança. Chegou a produzir naquela ocasião 200 quilos de linguiça por dia. E como ficava ao lado de um movimentado ponto de onde saiam os ônibus para a Capital e cidades do sul de Minas, a propagação boca a boca não demorou a chegar em outras cidades. E então a fama da linguiça bragantina se espalhou.E foi assim que nas décadas de 50 e 60 o produto ficou conhecido na região.

 

 

HÁ MAIS TEMPO 

 

  

Mas a história da linguiça bragantina remonta, na verdade, à época das Bandeiras, século XVIII. Naqueles tempos, as minas de ouro eram bastante assediadas pelo governo português. E a região mais próxima das “minas gerais” era aqui (perto da divisa de São Paulo e Minas). E aqui era o ponto de descanso dos tropeiros. Aqui eles tomavam suas cachaças, aqui jogavam baralho, aqui dormiam e faziam suas refeições.

 

E desde aquela época a carne suína era a mais fácil de se transportar, a mais popular, a mais barata, e muito mais acessível que a carne bovina. Surgiram então aqui então alguns “porqueiros”, pequenos sítios de criação suína, consequência do movimento de ida e vinda dos Bandeirantes que aqui passavam e compravam a carne do porco. E assim foi se formando aos poucos um núcleo de suinocultura nesta região.

  

 

O MATADOURO  

 

E as fazendas que foram surgindo viram na carne de porco um comércio promissor, de fácil enriquecimento, além do café.  Aqui em Bragança, o conhecido Matadouro (foto acima), hoje nome de bairro, era o abatedouro que abastecia esses pontos comerciais. A banha e o sangue do porco eram fartamente comercializados. E sobrava a carne nobre do porco que era então utilizada para fazer linguiça; e linguiça de carne nobre, de primeira, da boa sobra do porco.

 

Segundo se tem registro, a primeira fábrica oficial de linguiça de Bragança pertencia aos Palombellos, tradicional família bragantina, e data do começo do século passado, provavelmente 1908. O livro do escritor bragantino Amilcar Barletta retrata bem essa história.

 

Ainda hoje, diversos são os estabelecimentos que comercializam e é grande a procura pelos visitantes. E em todos bons restaurantes, bares, açougues e até mesmo à margem das rodovias de acesso de Bragança, a famosa “Linguiça de Bragança” pode ser encontrada. Bragança hoje detém o título de “capital nacional da linguiça”.

 

 



Autor: Décio de Lima - Data: 09/11/2017